Psiquiatria e Cinema: O Transtorno Afetivo Bipolar em "Mr.Jones"...

May 23, 2015

Diretor: Mike Figgis,

 

Produtores: Jerry A. Baerwitz, Richard Gere, Debra Greenfield, Alan Greisman

 

Roteiro: Eric Roth, Michael Cristofer

 

Elenco: Richard Gere, Lena Olin, Anne Bancroft, Tom Irwin

 

Ano de lançamento: 1993

 

Com Richard Gere no papel principal, Mr. Jones é um filme de 1993 que retrata de forma interessante o Transtorno Afetivo Bipolar. Trata-se em verdade de um romance, mas a interpretação da doença foi muito bem feita, e é sobre ela que falaremos.

 

Desde o início do filme, o senhor Jones se mostra carismático, sedutor, provocativo eeufórico, de uma forma grandiosa. Em uma obra, parece certo de que pode fazer o trabalho de duas pessoas, convence o encarregado a testá-lo como seu funcionário e, apesar de suas qualidades, se mostradistraído, não toma precauções que seriam normais no trabalho, parece acreditar ser clarividente, oferece uma nota de 100 dólares para um recém-encontrado colega e por fimacredita ser capaz de voar e quase sofre um acidente grave, mas é resgatado e levado para um hospital.

 

 

Logo depois de sair da internação, com um diagnóstico errado e sem critérios que justificassem uma internação compulsória, Jones vai ao banco, seduz a caixa, Susan, para passar o dia com ele após sacar 12.000 dólares e fechar a conta que abrira 5 dias antes, dágorjetas extremamente generosas a um vendedor de cachorros-quente, compra roupas, leva Susan a um hotel caro, compra um piano sem perguntar o preço e em questão de instantes após chegar à loja, de forma muito impulsiva.

 

Depois parece certo ao assistir uma orquestra de que a regência não está adequada com o tempo que Beethoven desejaria, sobe ao palco e tenta reger a orquestra, sendo levado pela polícia e reinternado, dessa vez com diagnóstico correto.

 

O que acontece com o senhor Jones é o que chamamos de um episódio maníaco. Os sintomas principais são uma auto-estima muito aumentada, com certa grandiosidade, diminuição da necessidade de sono, aumento da fala, pensamentos acelerados, distração, aumento de atividades dirigidas a metas e envolvimento aumentado em atividades de resultados potencialmente perigosos.

 

Os episódios maníacos são parte do diagnóstico do que chamamos de Transtorno Afetivo Bipolar tipo I, que é o tipo mais clássico e já foi chamado de Psicose maníaco-depressiva. Ele é caracterizado por episódios maníacos e por episódios de depressão, como ocorre com Jones em outra parte do filme, quando o protagonista passa a perder o prazer por tudo, mostrando uma sensação de apatia, tristeza, desamparo.

 

Nesse ponto, Jones deixa de ser a pessoa brilhante, extrovertida, interessante, de cálculos matemáticos rápidos e talento musical, tornando-se uma pessoa triste, taciturna, coberto pelas sombras e pela sujeira de suas roupas, e acaba novamente internado, necessitando de ajuda para o banho e para funções básicas de sua vida.

 

Embora o quadro apresentado pelo senhor Jones seja o mais clássico, não é o mais comum, sendo outros tipos de Transtorno Bipolar mais comuns, como o Transtorno Bipolar do tipo II, em que a pessoa apresenta episódios de depressão e hipomania, um quadro mais brando do que a mania, mas com sintomas parecidos. Há algum tempo costumava se dizer que o TAB tipo II seria uma forma mais “branda” de TAB, mas percebe-se que ocorrem dificuldades importantes com pessoas com esse diagnóstico, alguns tem muitos episódios seguidos e prejuízos importantes no trabalho e desempenho acadêmico.

 

O tratamento do Transtorno Bipolar é feito com o uso de medicamentos como o carbonato de lítio, o ácido valpróico, a carbamazepina, a lamotrigina, chamados de estabilizadores de humor, além de outras medicações, de forma variável com a fase do transtorno.

 

Existe um mito no tratamento do TAB de que os medicamentos poderiam tiram a criatividade ou o que há de especial na pessoa, o que não é verdade.

 

O fato é que possivelmente o senhor Jones deveria ser uma pessoa bem especial, de forma independente da doença, com uma série de características únicas e especiais que com certeza não sumiriam com o uso de um medicamento.

 

O fato é que Jones medicado possivelmente continuaria a fazer contas rápido, a ser carismático, simpático, bom músico, atento a detalhes, mas poderia usar essas qualidades de forma mais eficiente ao seu favor, com um emprego e relacionamento estável, e dificilmente tentaria voar do alto de uma construção ou ficaria sujo, com a aparência envelhecida pela falta de cuidado, na fronteira entre o que é e o que a doença lhe causou.

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