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Transtorno de Pânico: Entenda os Sintomas, as Causas e o Tratamento

Tratamento de Transtorno de Pânico em adultos em São Paulo — Dr. Alexandre Cintra

Por Alexandre Cintra

Atualizado em 08/05/2026

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- Boas notícias, senhor Evans, o seu coração está ótimo!​

- Ótimo? O que você quer dizer com isso? Eu tive oito ataques cardíacos nas últimas semanas.​

- Bom, na verdade, eu diria que o senhor teve um ataque de ansiedade, um ataque de pânico.​

(A Máfia no Divã, 1999)

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Esse diálogo, do filme em que Robert De Niro interpreta um chefe da máfia que começa a ter ataques de pânico, captura uma das experiências mais aterradoras do paciente que vive com Transtorno de Pânico: a convicção absoluta de estar enfartando, morrendo, enlouquecendo, e a frustração de descobrir, depois de exames cardiológicos repetidos, que "não há nada de errado" — quando o sofrimento é absolutamente real.

 

Episódios de Pânico podem ser frequentemente confundidos com "nervosismo excessivo". Quem os vivencia sabe que não é bem isso, mas algo bem diferente: episódios súbitos de medo extremo acompanhados de sintomas físicos intensos que parecem, fenomenologicamente, indistinguíveis de uma emergência médica. Não é fraqueza — é desregulação biológica de um circuito específico do cérebro que evoluiu para nos manter vivos diante de ameaças reais, e que, no transtorno, dispara na hora errada.​​

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O que é, afinal, um ataque de pânico?

 

Diferente da ansiedade comum (que é um estado prolongado de apreensão), o ataque de pânico é um episódio súbito de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos — geralmente entre 5 e 10 minutos — e costuma se resolver em até meia hora. Pode surgir aparentemente "do nada" (ataque não provocado) ou ser engatilhado por situações específicas.

 

Durante o ataque, o corpo manifesta pelo menos quatro destes 13 sintomas clássicos:

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Sintomas físicos:

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  • Palpitações ou aceleração dos batimentos cardíacos

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  • Sudorese intensa

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  • Tremores ou sensação de balanço

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  • Sensação de falta de ar ou sufocamento

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  • Sensação de engasgo

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  • Dor ou desconforto no peito

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  • Náusea ou desconforto abdominal

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  • Tontura, instabilidade ou sensação de desmaio

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Sintomas sensoriais:

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  • Calafrios ou ondas de calor

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  • Parestesias (formigamento ou dormência)

 

Sintomas cognitivos:

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  • Desrealização (a sensação de que o ambiente não é real) ou despersonalização (sensação de estar fora do próprio corpo)

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  • Medo de perder o controle ou enlouquecer

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  • Medo de morrer

 

Detalhe clínico importante: o ataque de pânico não é perigoso fisicamente — embora seja extremamente desconfortável. O coração não vai parar, a pessoa não vai enlouquecer, não vai morrer. Mas a convicção do contrário, durante o ataque, é absoluta. Compreender isso é o primeiro passo do tratamento.

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Quando os ataques se tornam um transtorno?

 

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Ter um ataque de pânico isolado, em algum momento da vida, é mais comum do que se pensa: ocorre em cerca de um terço da população. Isso, por si só, não é Transtorno de Pânico.

 

O diagnóstico de Transtorno de Pânico ocorre quando os ataques se tornam recorrentes e geram um impacto duradouro na vida da pessoa. Os marcadores clínicos são:

 

1. Ataques recorrentes e inesperados — episódios que surgem sem um gatilho identificável claro, repetindo-se ao longo do tempo.

 

2. Ansiedade antecipatória — preocupação persistente com a possibilidade de novos ataques. É o famoso "medo de ter medo" — o paciente passa a viver em estado de vigilância sobre o próprio corpo, monitorando batimentos, respiração, qualquer sensação que possa ser interpretada como início de crise.

 

3. Mudanças significativas de comportamento — evitação de lugares, situações ou atividades que a pessoa associa aos ataques (academia, dirigir, sair de casa sozinho, lugares cheios, viagens). Essa evitação, quando se generaliza, leva à Agorafobia — quadro frequentemente associado, que abordo em detalhe abaixo.

 

Para configurar o diagnóstico, esses sintomas precisam persistir por pelo menos um mês e causar prejuízo funcional real.

 

 

Pânico noturno: quando o ataque acontece durante o sono

 

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Cerca de 70% dos pacientes com Transtorno de Pânico experienciam, em algum momento, ataques durante o sono — o que se chama pânico noturno. A pessoa acorda subitamente em pleno ataque, geralmente nas primeiras horas após adormecer, sem qualquer pesadelo prévio que justifique.

 

A experiência é particularmente assustadora porque:

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  • Não há "preparação cognitiva" para o que está acontecendo;

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  • O corpo desperta já em pico de sintomas — taquicardia, falta de ar, suor;

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  • A primeira interpretação costuma ser de emergência médica grave (infarto, AVC);

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  • Pode levar à insônia secundária — o paciente passa a temer dormir, antecipando novos ataques.

 

O diagnóstico diferencial inclui apneia do sono (que pode mimetizar pânico noturno em alguns aspectos) e terror noturno (mais comum em crianças). Pânico noturno não é mais grave que o pânico diurno em termos clínicos — mas tem impacto particular sobre a qualidade do sono e merece avaliação específica.

 

 

Pânico e Agorafobia: o ciclo do isolamento

 

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A Agorafobia é frequentemente associada ao Transtorno de Pânico e merece atenção própria. Ao contrário do que sugere o senso comum ("medo de lugares abertos"), a Agorafobia é, mais precisamente, medo de estar em situações das quais escapar seria difícil ou onde ajuda pode não estar disponível, caso ocorra um ataque de pânico ou sintomas incapacitantes.

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As situações tipicamente evitadas incluem:

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  • Transporte público (metrô, ônibus, avião);

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  • Espaços abertos amplos (estacionamentos, pontes, mercados);

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  • Espaços fechados (cinemas, teatros, lojas);

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  • Filas ou multidões;

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  • Sair de casa sozinho.

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O ciclo perverso da Agorafobia funciona assim: o paciente teve ataques no metrô → passa a evitar metrô → a evitação reduz a ansiedade no curto prazo → mas reforça, no longo prazo, a percepção de que o metrô é, de fato, perigoso. A vida vai progressivamente encolhendo: primeiro evita-se uma rota, depois uma região, depois sair de casa sozinho, e em casos graves, sair de casa em absoluto.

 

Estima-se que cerca de um terço a metade dos pacientes com Transtorno de Pânico desenvolvam algum grau de Agorafobia ao longo do tempo. Reconhecer precocemente é parte importante do tratamento, porque a evitação se cristaliza com o tempo e exige abordagem terapêutica específica para ser revertida —

 

sobretudo a terapia de exposição dentro da TCC.

 

 

Por que o "alarme" dispara? A neurobiologia do pânico

 

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A ciência atual entende o Transtorno de Pânico através do modelo estresse-diátese: a combinação entre uma vulnerabilidade biológica (cerca de 40% de heritabilidade em estudos com gêmeos) e fatores ambientais ou psicológicos que disparam ou agravam o quadro.

 

Neurobiologicamente, o circuito do pânico envolve principalmente:

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  • Amígdala — estrutura cerebral central na detecção de ameaças, com hiperexcitabilidade no Transtorno de Pânico;

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  • Núcleo do leito da estria terminal e hipotálamo — coordenadores da resposta de luta-ou-fuga;

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  • Locus coeruleus — fonte principal de noradrenalina, neurotransmissor que dispara estado de alerta;

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  • Sistemas serotoninérgico e GABAérgico — modulam (ou deveriam modular) a resposta de medo.

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A metáfora útil: imagine o sistema de alarme de uma casa. Em pessoas saudáveis, ele dispara apenas diante de ameaças reais. No Transtorno de Pânico, o ajuste de sensibilidade está desregulado — o alarme dispara com qualquer sombra na janela, qualquer rajada de vento, e às vezes sem qualquer estímulo identificável. Não é frescura, não é "fraqueza emocional": é hardware funcionando fora da especificação.

 

Fatores de risco identificados incluem:

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  • História familiar de transtornos ansiosos

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  • Eventos de vida estressantes (perdas, traumas, mudanças importantes)

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  • Traços de sensibilidade à ansiedade (tendência a interpretar sensações corporais como perigosas)

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  • Uso de substâncias estimulantes (cafeína em excesso, nicotina, cocaína, anfetaminas)

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  • Tabagismo (associação independente, ainda não totalmente compreendida)

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  • Distúrbios do sono prévios

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  • Histórico de hiperventilação crônica

 

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Diagnóstico Diferencial: é pânico ou algo físico?

 

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Um dos pontos centrais da avaliação clínica é garantir que o diagnóstico seja preciso. Sintomas de pânico mimetizam várias condições médicas — e o contrário também é verdade. Diagnosticar Transtorno de Pânico sem antes excluir causas orgânicas é negligência clínica.

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Causas a considerar e excluir:

 

Cardiovasculares:

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  • Arritmias (especialmente taquicardia supraventricular paroxística)

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  • Angina, infarto agudo

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  • Prolapso da valva mitral

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Respiratórias:

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  • Asma, DPOC

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  • Embolia pulmonar (sempre considerar em casos atípicos)

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Endócrinas:

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  • Hipertireoidismo (causa frequente, frequentemente perdida)

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  • Feocromocitoma (raro, mas dramático)

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  • Hipoglicemia em diabéticos

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Neurológicas:

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  • Crises epilépticas parciais (especialmente do lobo temporal)

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  • Disfunção vestibular

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Substâncias:

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  • Cafeína em excesso

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  • Nicotina (em fase aguda)

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  • Cocaína, anfetaminas

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  • Síndromes de abstinência (álcool, benzodiazepínicos)

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Avaliação inicial costuma incluir exames laboratoriais (TSH, hemograma, glicemia, eventualmente B12) e, dependendo do caso, eletrocardiograma. Em muitos pacientes, esses exames já foram repetidos em pronto-socorros antes da avaliação psiquiátrica chegar — o que é até útil, pois confirma a normalidade física e abre caminho para o tratamento adequado.

​

 

Pânico vs. outros transtornos mentais

 

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Nem todo medo intenso é pânico. É preciso diferenciar:

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Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) — ansiedade persistente, "de fundo", focada em preocupações com o dia a dia (trabalho, família, saúde, finanças). No TAG, a ansiedade é mais difusa e crônica; no pânico, são episódios agudos contra um fundo geralmente mais calmo.

 

Fobia Social — medo intenso de situações sociais por medo de julgamento ou avaliação negativa. Pode haver ataques de pânico engatilhados por situações sociais, mas o medo central é específico (ser julgado), não inespecífico.

 

Fobias específicas — medo desproporcional de objetos ou situações específicas (altura, voar, sangue). O ataque ocorre apenas diante do estímulo fóbico.

 

Depressão — pode coexistir com pânico (e frequentemente coexiste). Em quadros depressivos, ataques de pânico podem aparecer como sintoma secundário, e o tratamento precisa contemplar ambas as dimensões.

 

Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) — pode incluir crises agudas com sintomas similares ao pânico, mas estão tipicamente associadas a gatilhos relacionados ao trauma original. Muitos pacientes com TEPT recebem inicialmente diagnóstico isolado de Transtorno de Pânico, perdendo-se a história traumática subjacente.

 

Transtornos psicóticos — em raros casos, sintomas psicóticos (especialmente despersonalização intensa) podem ser confundidos com pânico. A história clínica e o curso longitudinal diferenciam.

 

A avaliação detalhada da história de vida é o que permite essas distinções — não exames complementares, não questionários online.

 

 

O caminho para a recuperação

 

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O Transtorno de Pânico está entre os transtornos psiquiátricos com melhor resposta ao tratamento. A maioria dos pacientes que adere ao tratamento adequado alcança remissão dos ataques e recuperação significativa da qualidade de vida. A abordagem moderna integra três frentes:

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Tratamento farmacológico

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Medicações com evidência sólida para Transtorno de Pânico:

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  • ISRS (sertralina, escitalopram, paroxetina, fluoxetina) — primeira linha pelo perfil de tolerabilidade e eficácia. Início de ação em 4 a 6 semanas;

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  • IRSN (venlafaxina) — alternativa em casos com fadiga ou dor associada;

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  • Tricíclicos (clomipramina, imipramina) — eficazes, embora menos usados em primeira linha por efeitos colaterais;

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  • Benzodiazepínicos (clonazepam, alprazolam) — úteis em fase aguda para alívio rápido, mas com indicação cuidadosa pelo risco de dependência. Em geral, usados como ponte enquanto o ISRS faz efeito;

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  • Pregabalina — opção em casos selecionados.

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Particularidade importante: pacientes com pânico costumam ser muito sensíveis a efeitos colaterais iniciais dos ISRS — o que pode ser confundido com piora dos sintomas e levar ao abandono precoce. Iniciar com doses baixas e fazer titulação gradual é estratégia clínica essencial.

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Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

​

A TCC para Transtorno de Pânico tem eficácia equivalente à da medicação — e, em alguns estudos, superior em manutenção de longo prazo. Os componentes centrais incluem:

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  • Psicoeducação — entender o que é o ataque de pânico, por que os sintomas são o que são, e por que não são perigosos;

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  • Reestruturação cognitiva — identificar e modificar interpretações catastróficas das sensações corporais ("estou tendo um infarto", "vou morrer", "vou enlouquecer");

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  • Exposição interoceptiva — exposição controlada a sensações corporais que costumam disparar o pânico (rotação, hiperventilação controlada, exercício físico), permitindo ao cérebro "reaprender" que essas sensações não são perigosas;

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  • Exposição in vivo — para pacientes com Agorafobia, exposição gradual às situações evitadas, com cuidado e suporte.

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Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

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Abordagem complementar útil quando a luta contra os sintomas se tornou parte do problema. Em vez de tentar eliminar a ansiedade, a ACT trabalha a relação do paciente com suas próprias sensações — aceitando-as como experiências passageiras enquanto se segue agindo conforme valores pessoais. Particularmente útil em casos com forte componente de evitação e ansiedade antecipatória.

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Mudanças no estilo de vida

​

Frequentemente subestimadas, mas com impacto real:

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  • Redução de cafeína (incluindo chá-mate, energéticos e refrigerantes do tipo cola)

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  • Eliminação de nicotina

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  • Atividade física regular (efeito ansiolítico bem documentado)

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  • Higiene do sono

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  • Redução do uso de álcool

 

 

Sobre o Dr. Alexandre Cintra — Psiquiatra em São Paulo

 

 

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra é médico psiquiatra (CRM: 139.224-SP | RQE: 39418) com consultório na Alameda Santos, 211 — Cerqueira César, São Paulo. Atende adultos com transtornos ansiosos, depressivos, TDAH, TOC, transtorno bipolar, Altas Habilidades/Superdotação e condições associadas, com abordagem que integra farmacologia de precisão e psicoterapia baseada em processos — combinando ferramentas de TCC, ACT e abordagens contextuais.

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O tratamento do Transtorno de Pânico em adultos ocorre de forma individualizada, considerando o subtipo do quadro (com ou sem agorafobia, com pânico noturno, comorbidades associadas), a história de tratamentos prévios, as sensibilidades do paciente a medicações e os objetivos de vida. Agendamentos pelo telefone (11) 3628-3915 ou WhatsApp (11) 99920-8895.

 

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Referências Bibliográficas

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BIGHELLI, Irene et al. Antidepressants and benzodiazepines for panic disorder in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 9, 2016.

​

CHAWLA, Natasha et al. Drug treatment for panic disorder with or without agoraphobia: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. bmj, v. 376, 2022.

​

​PAPOLA, Davide et al. Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies for panic disorder with or without agoraphobia: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. The British journal of psychiatry, v. 221, n. 3, p. 507-519, 2022.

​

PENNINX, Brenda WJH et al. Anxiety disorders. Lancet (London, England), v. 397, n. 10277, p. 914-927, 2021.​​

Perguntas frequentes

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra - CRM: 139.224-SP

Psiquiatra [RQE: 39418]

Alameda Santos, 211 - Cj. 1709 - Cerqueira Cesar - São Paulo - SP

Tel: (11) 3628-3915 WhatsApp: (11) 99920-8895

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