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Transtorno de Pânico: Entenda os Sintomas, as Causas e o Tratamento

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- Boas notícias, senhor Evans, o seu coração está ótimo!

- Ótimo? O que você quer dizer com isso? Eu tive oito ataques cardíacos nas últimas semanas.

- Bom, na verdade, eu diria que o senhor teve um ataque de ansiedade, um ataque de pânico.

(A mafia no divã)

 

Já ouviu falar em Transtorno de Pânico? Exemplos não faltam nos filmes, revistas, internet, e francamente, podemos perdoar a confusão do sr. Evans, já que alguns dos sintomas de um transtorno de pânico podem causar a impressão de um problema cardíaco ou em algum outro lugar do corpo.

O Transtorno de Pânico é frequentemente incompreendido como um "nervosismo excessivo", mas quem o vivencia sabe que se trata de uma experiência aterradora de perda de controle. No meu consultório, vejo que o primeiro passo para a recuperação é a compreensão profunda: entender que esses episódios, embora intensos, têm uma explicação biológica e psicológica clara.

O que é, afinal, um Ataque de Pânico?

 

Diferente da ansiedade comum, o ataque de pânico é um episódio súbito de medo intenso que atinge o seu pico em poucos minutos. Ele pode surgir "do nada" (ataque não provocado) ou ser engatilhado por situações específicas.

Durante um ataque, o corpo manifesta pelo menos quatro destes 13 sintomas clássicos:

  • Sintomas Físicos: Palpitações, falta de ar, dor no peito, sudorese, tremores, náusea e tontura.

  • Sensações Sensoriais: Calafrios, ondas de calor ou formigamentos (parestesias).

  • Sintomas Cognitivos: Medo de morrer, medo de "enlouquecer", desrealização (o mundo parece irreal) ou despersonalização (sentir-se fora do próprio corpo).

 

Quando os ataques se tornam um Transtorno?

Ter um ataque isolado é comum (ocorre com até 1/3 das pessoas). O diagnóstico de Transtorno de Pânico ocorre quando os ataques se tornam recorrentes e geram um impacto duradouro na vida:

  1. Ansiedade Antecipatória: A preocupação persistente com o próximo ataque ("medo de ter medo").

  2. Mudanças de Comportamento: Evitar lugares ou situações (como exercícios ou multidões) para tentar prevenir novos episódios.

 

As Causas: Por que o "Alarme" dispara?

 

A ciência explica o pânico através do modelo estresse-diátese. Temos uma combinação de vulnerabilidade genética (cerca de 40% de heritabilidade) com fatores ambientais e traços de personalidade, como a sensibilidade à ansiedade.

 

Neurobiologicamente, o pânico envolve uma hiperexcitabilidade na amígdala e no hipotálamo. É como se o sistema de segurança do seu cérebro estivesse com o alarme regulado para disparar diante de qualquer sombra, coordenando uma resposta de "luta ou fuga" na hora errada.

 

Diagnóstico Diferencial: É Pânico ou algo físico?

Um dos pontos centrais do meu trabalho como médico é garantir que o diagnóstico seja preciso. O pânico pode mimetizar várias condições, e precisamos descartar:

 

  • Causas Cardíacas e Respiratórias: Angina, arritmias ou asma podem ter sintomas parecidos.

  • Disfunções Hormonais: Problemas na tireoide ou feocromocitoma.

  • Efeitos de Substâncias: O uso de cafeína em excesso ou nicotina pode ser um gatilho negligenciado.

Pânico vs. Outros Transtornos Mentais

Nem todo medo intenso é pânico. É preciso diferenciar do TAG (preocupação com o dia a dia), da Fobia Social (medo de julgamento) ou da Depressão, onde o pânico pode aparecer como um sintoma secundário. A presença de Agorafobia(medo de locais sem saída) também deve ser avaliada, pois agrava significativamente o isolamento do paciente.

O Caminho para a Recuperação

O transtorno de pânico é altamente tratável. Minha abordagem integra o que há de mais moderno na medicina e na psicologia:

  1. Suporte Farmacológico: Uso de medicações para regular os neurotransmissores (Serotonina e GABA), reduzindo a frequência e a intensidade dos surtos.

  2. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Atuamos na reestruturação cognitiva e em técnicas de exposição, ajudando o cérebro a "reaprender" que as sensações corporais não são perigosas.

Conclusão: Recupere a sua Liberdade

 

O objetivo final não é apenas suprimir sintomas, mas devolver a você a capacidade de agir conforme os seus valores. Se você se sente refém do medo, saiba que existe um caminho fundamentado na ciência e no acolhimento para retomar o protagonismo da sua vida.

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra - CRM: 139.224-SP

Psiquiatra [RQE: 39418]

Alameda Santos, 211 - Cj. 1709 - Cerqueira Cesar - São Paulo - SP

Tel: (11) 3628-3915 WhatsApp: (11) 99920-8895

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