
Terapia Cognitiva e Psicoterapia Baseada em Processos em São Paulo
A psicoterapia hoje é um campo amplo e em evolução constante. Esta página apresenta a abordagem psicoterapêutica do consultório do Dr. Alexandre Cintra — que tem suas raízes na Terapia Cognitiva clássica de Aaron e Judith Beck e se desenvolve, hoje, para incluir as terapias contextuais e baseadas em processos, com destaque para a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e a Process-Based Therapy (PBT) desenvolvidas por Steven C. Hayes.

A Terapia Cognitiva: o ponto de partida
A Terapia Cognitiva (TC) nasceu na década de 1960, quando Aaron Beck, então psiquiatra de formação psicanalítica, identificou em suas pesquisas com pacientes deprimidos um padrão sistemático: a depressão se sustentava sobre uma forma específica e enviesada de interpretar a realidade — o que ele chamou de tríade cognitiva negativa (visões negativas sobre si mesmo, sobre as próprias experiências e sobre o futuro).
Dessa observação clínica nasceu uma das transformações mais influentes da história da psicoterapia: a ideia de que os estados emocionais não decorrem dos eventos em si, mas da maneira como os interpretamos. Sintomas que pareciam manifestações inacessíveis do inconsciente passavam a poder ser trabalhados de forma direta, estruturada e mensurável.
A partir desse modelo, existe a ideia de que os estados emocionais são conseqüência de cognições/pensamentos decorrentes da forma de interpretar os eventos, e não dos eventos em si. Nesse sentido, em situações hipotéticas, três pessoas poderiam pensar das seguintes maneiras:

Esses são exemplos simples de como as pessoas podem entender situações de formas diferentes, com diferentes consequências. A pessoa A provavelmente vai ficar bastante triste em ambas as situações. Isso pode levá-la a ser seca ou inadequada com o marido, e com isso ter um péssimo jantar e piorar o relacionamento. Também pode levá-la a perder contato com a pessoa do outro lado da rua, e talvez com ainda mais amigos, piorando um quadro de tristeza e isolamento, que se amplifica cada vez mais.
A pessoa B provavelmente ficará muito ansiosa, tensa, nervosa, pode acabar perdendo o sono pensando no que afinal fez para o amigo, ou ter uma verdadeira crise de ansiedade com suas imaginações a respeito do atraso do marido.
Já a pessoa C parece estar enxergando as duas situações com certa naturalidade, e conseguindo lidar com elas de forma mais tranquila e funcional, de uma maneira que dificilmente irá prejudica-la, ou a alguém à sua volta.

O que você vê ao lado é o que chamamos de modelo cognitivo tradicional, no qual entendemos que os pensamentos / as nossas interpretações do que se passa conosco, ou à nossa volta, são um elemento chave para a determinação de como nos sentimentos e nos comportamos a respeito de alguma coisa. Evidentemente, os nossos pensamentos podem ocorrer em resposta a outros pensamentos, ou podem ser a interpretação de uma emoção que sentimos de forma intensa, mas este esquema "A-B-C" nos ajuda a entender bem o potencial das nossas intepretações para a nossa vida emocional.
A Terapia Cognitiva envolve a reestruturação cognitiva, ou seja, o trabalho de flexibilização em relação aos nossos pensamentos e crenças, e à forma como nos relacionamos com eles, e a resolução dos problemas atuais do paciente, que o afligem e afetam o seu bem-estar.
O processo da TC é geralmente breve, com sessões estruturadas (fazendo uma agenda, por exemplo, no início da sessão, e uma estruturação do conteúdo a ser trabalhado, em oposição a outros modelos de psicoterapia que trabalham com a ideia de “livre associação”), de forma organizada, com um plano de tratamento e definição de metas entre terapeuta e paciente e "tarefas de casa” (algo para ser pensado, anotado ou tentado até a próxima sessão).
Na TC, embora o terapeuta tenha uma série de conhecimentos técnicos específicos, a pessoa que está confiando seus pensamentos, sentimentos, formas de entender o mundo e as pessoas é absolutamente vista como a maior “expert" em si, e doravante respeitada e levada em consideração em todo o processo. Paralelamente, todo o processo da terapia é muito aberto, de forma a deixar claro para o paciente o que se está fazendo e o porquê, com o objetivo de tornar o paciente “o próprio terapeuta”, “ensinando" formas de lidar com desafios e dificuldades emocionais futuras, e prevenindo recaídas do problema.
A evolução: da TC clássica às terapias contextuais
Desde a década de 1990, o campo da Terapia Cognitiva passou por uma evolução significativa. Surgiram abordagens que ampliaram o escopo da TC tradicional, incorporando elementos de aceitação, atenção plena (mindfulness), valores pessoais e flexibilidade psicológica. Essas abordagens são frequentemente chamadas de terapias cognitivo-comportamentais de terceira onda ou terapias contextuais. Entre elas estão:
ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) — desenvolvida por Steven C. Hayes;
DBT (Terapia Comportamental Dialética) — Marsha Linehan, originalmente para transtorno de personalidade borderline;
MBCT (Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness) — desenvolvida por Zindel Segal, Mark Williams e John Teasdale;
CFT (Terapia Focada na Compaixão) — Paul Gilbert;
Terapia Metacognitiva — Adrian Wells.
Mais recentemente, Hayes propôs uma síntese ainda mais ampla: a Process-Based Therapy (PBT) ou Terapia Baseada em Processos. Em vez de aplicar protocolos fixos por diagnóstico, a PBT propõe identificar os processos psicológicos centrais (flexibilidade cognitiva, regulação emocional, autocompaixão, valores, conexão social) que sustentam o sofrimento ou o florescimento da pessoa — e trabalhar diretamente sobre eles.
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): uma virada importante
A ACT parte de uma observação que pode soar contraintuitiva: muitas vezes, o esforço para eliminar pensamentos e emoções desconfortáveis é justamente o que sustenta o sofrimento. Em vez de focar exclusivamente em mudar o conteúdo dos pensamentos (como na TC clássica), a ACT trabalha a relação que a pessoa estabelece com seus próprios pensamentos e emoções.
Os seis processos centrais da ACT — chamados de hexaflex — são:
Aceitação — abrir espaço para experiências internas difíceis sem lutar contra elas;
Desfusão cognitiva — observar pensamentos como pensamentos, e não como verdades absolutas;
Contato com o momento presente — atenção plena ao aqui e agora;
Eu como contexto — reconhecer que você é mais do que seus pensamentos ou emoções passageiras;
Valores — clareza sobre o que importa profundamente para você;
Ação comprometida — comportar-se de forma alinhada com seus valores, mesmo na presença de desconforto.
A ACT tem demonstrado eficácia para depressão, ansiedade, dor crônica, TOC, dependências, traumas e diversas outras condições — frequentemente com resultados equivalentes ou complementares aos da TC clássica, e particularmente úteis em casos onde a reestruturação cognitiva pura encontra resistência.

Na foto ao lado estou no workshop: Reimagining ACT as a Process-Based Therapy, no Arizona, em 2026, um evento com o Dr. Stephen C. Hayes, focado na ACT, e na forma de entender a psicoterapia e o cuidado do paciente de forma baseada em processos, e integrando elementos das diferentes abordagens.
Como esses modelos se integram na prática clínica
Na prática real do consultório, essas abordagens não competem entre si — elas se complementam. Um paciente com TOC pode se beneficiar profundamente de Exposição com Prevenção de Resposta (ERP) combinada com desfusão cognitiva da ACT. Um paciente com depressão pode trabalhar reestruturação cognitiva de Beck e, simultaneamente, clarificação de valores da ACT. Um paciente com perfeccionismo paralisante pode encontrar na autocompaixão (de Gilbert) o que a TC tradicional sozinha não alcançaria.
O que a Process-Based Therapy traz de mais radical é a proposta de abandonar o pensamento por protocolo ("paciente X tem diagnóstico Y, logo aplica-se intervenção Z") e adotar um pensamento por processos ("este paciente específico, neste momento, está preso em quais processos psicológicos? Que intervenções, vindas de qualquer tradição com evidência, podem destravar esses processos?").É exatamente esse o espírito da prática clínica do Dr. Alexandre Cintra: uma psicoterapia integrada, baseada em evidências, que respeita a singularidade de cada paciente em vez de aplicá-lo a um protocolo.
Formação e atualização contínua do Dr. Alexandre
A psicoterapia praticada no consultório do Dr. Alexandre Cintra é fruto de formação contínua em ambas as gerações da terapia cognitiva: Formação clássica em Terapia Cognitiva com base no modelo de Aaron e Judith Beck, com especialização e proficiência em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo CTC Veda, em São Paulo, bem como cursos específicos e intensivos de manejo de pacientes com quadros depressivos, com ideação suicida, com quadros ansiosos no Beck Institute, na Philadelphia; Workshop "ACT as a Process-Based Therapy" com Steven C. Hayes, no Arizona; Programa de imersão Immersion in ACT com Steven C. Hayes (em curso), e atividade docente em psicoterapia e psicofarmacologia para psicólogos.
Essa formação se traduz em uma prática clínica que valoriza o legado da TC clássica sem se prender a protocolos rígidos, e que integra ferramentas das terapias contextuais sem abandonar o rigor metodológico da terapia baseada em evidências.

Foto: com Aaron Beck, fundador da Terapia Cognitiva (falecido em 2021), e sua filha Judith Beck, uma das maiores expoentes da abordagem na atualidade.
Produção acadêmica e docência
Além da prática clínica, o Dr. Alexandre Cintra desenvolve atividade acadêmica na área de psicoterapia. É docente do curso de especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental da Universidade Cruzeiro do Sul (UniCSul) e autor de capítulos em obras de referência da área:
CINTRA, A.; CORREIA, S. B.; NAKAO, F. O. E. Intervenções nos processos de manutenção da depressão. In: NICOLETTI, E. A.; DONADON, M. F. (org.). Ciclos de manutenção em terapia cognitivo-comportamental. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2019. cap. 3, p. 67-94.
CINTRA, A.; FONSECA, F. M. O uso da psicoterapia on-line com pacientes desafiadores. In: CRUZ, R. M.; ZWIELEWSKI, G. (org.). Manual de psicoterapia on-line. São Paulo: Vetor, 2021. cap. 20, p. 359-382.
CINTRA, A.; JOAQUIM, R. G.; BERNARDI, R. S. Transtorno de personalidade evitativa. In: SILVA, J. V. A.; SCHÜTZ, N. T. (org.). Transtornos da personalidade: estudo de casos desafiadores. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2023. cap. 9, p. 215-256.
CINTRA, A.; JOAQUIM, R. G. Transtorno da personalidade evitativa: intervenções cognitivas e comportamentais. In: SILVA, J. V. A. (org.). Transtornos da personalidade: técnicas clássicas e inovadoras das terapias cognitivo-comportamentais. [Cidade]: Nilapress, 2026. cap. 9, p. 253-300.
Sobre o Dr. Alexandre Cintra
Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra é médico psiquiatra (CRM: 139.224-SP | RQE: 39418) com consultório na Alameda Santos, 211 — Cerqueira César, São Paulo.
Atende adultos com transtornos depressivos, ansiosos, TDAH, TOC, Altas Habilidades/Superdotação, transtorno bipolar e condições associadas, com abordagem que integra farmacologia de precisão e psicoterapia baseada em processos — combinando Terapia Cognitiva clássica, ACT e ferramentas das terapias contextuais conforme as necessidades de cada paciente.
Agendamentos pelo telefone (11) 3628-3915 ou WhatsApp (11) 99920-8895.

