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Transtornos de personalidade em adultos: avaliação, compreensão e tratamento em São Paulo

Por Alexandre Cintra

Texto atualizado em 14/05/2026

Há um certo tipo de paciente que, no consultório, costuma vir acompanhado de uma frase: "ele sempre foi assim". Quem diz isso pode ser a esposa, a mãe, o filho adulto, o próprio paciente — e a frase quase nunca é dita como elogio. Há nela o reconhecimento de que aquilo que se está descrevendo não é um episódio, não é uma fase, não é uma reação a alguma coisa que aconteceu na semana passada. É um modo de ser. Uma forma estável, repetida, de sentir, pensar e se relacionar com o mundo que, em algum ponto, deixou de funcionar — se é que algum dia funcionou bem.

Quando isso aparece, estamos provavelmente diante de algo que a psiquiatria chama de transtorno de personalidade. E vale começar pelo "provavelmente": porque o diagnóstico, neste território, é menos uma fotografia nítida do que um esforço de reconhecimento de padrões — padrões que se misturam com o que costumamos chamar de "jeito de ser", "temperamento", "caráter", e que por isso mesmo são tão difíceis de nomear sem ofender, sem reduzir, sem encerrar uma pessoa em uma categoria.

Avaliação e tratamento de transtornos da personalidade - Dr. Alexandre Cintra, psiquiatra
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Por que isso importa?

 

Os transtornos de personalidade não são raros. As estimativas variam, mas situam-se em algum ponto entre 5% e 20% da população geral, com tendência a se acomodarem em torno de 15%. Em populações clínicas — pessoas que já buscam ajuda por algum motivo — o número sobe para 30% a 50%. Em internações psiquiátricas, ultrapassa metade dos pacientes.

 

São, portanto, problemas comuns, ainda que raramente apareçam no consultório com essa etiqueta. As pessoas chegam com depressão, com ansiedade, com um casamento desabando, com uma crise no trabalho, com tentativas de suicídio. O transtorno de personalidade está embaixo, sustentando o quadro, dificultando o tratamento, fazendo o que poderia ser uma depressão de seis meses se arrastar por seis anos.

 

Há algumas razões práticas para reconhecê-los:

 

1. Os transtornos de personalidade pioram o prognóstico de quase tudo o mais que se possa tratar em psiquiatria. Depressão, ansiedade, transtornos alimentares, dependência química — todos respondem pior, recaem mais, exigem mais do tratamento quando coexistem com um transtorno de personalidade. Estudos longitudinais mostram que esse efeito negativo é independente da gravidade inicial do quadro principal. Não é que o paciente esteja "mais deprimido" ou tenha um transtorno de pânico "mais grave" e por isso melhore menos. É outra coisa, que opera por outros mecanismos, e que precisa ser endereçada como tal.

2. O Transtorno de Personalidade Borderline, por exemplo, está associado a risco significativamente elevado de suicídio, com taxas de mortalidade de 2-5% em estudos de longo prazo, substancialmente superiores à população geral. Dessa forma, tratam-se de quadros de alta letalidade.

3. Pacientes com Transtornos de Personalidade beneficiam-se de tratamento e de atenção específica às suas dificuldades, o que torna especialmente importante o seu reconhecimento.

Esses quadros foram historicamente relegados a um segundo plano porque são trabalhosos, porque assustam, porque desafiam o terapeuta, porque desafiam o sistema de saúde. Contudo, o fato de serem quadros que influenciam o prognóstico do tratamento de todos os outros quadros frequentemente sobrepostos a eles, que geram perda de qualidade de vida para os pacientes e um risco de mortalidade significativo e que podem responder a intervenções tornam o seu reconhecimento muito importante.

 

O que é, afinal, personalidade?

 

Antes de falar de transtorno, é honesto começar pelo substantivo. A palavra vem do latim persona — a máscara usada pelos atores no teatro romano para amplificar a voz e fixar um personagem. O uso popular herdou algo dessa noção: pensamos em personalidade como o conjunto de traços que cada um exibe, suas preferências, sua "força de vontade", sua "constituição moral".

 

A psicologia científica trabalha com algo um pouco diferente. Personalidade, neste sentido técnico, é o conjunto relativamente estável de características — pensamentos, sentimentos, comportamentos — que distingue um indivíduo dos demais e descreve sua forma habitual de responder ao mundo e aos outros. As características em si podem ser compartilhadas (todos somos, em algum grau, mais ou menos ansiosos, mais ou menos sociáveis, mais ou menos organizados); o que é único é a combinação delas.

 

O modelo mais consolidado para descrever isso é o modelo dos cinco fatores, ou Big Five, que organiza a variação humana em cinco grandes dimensões:

  • Neuroticismo — a tendência a experimentar emoções negativas

  • Extroversão — a busca por estímulo social e a expressão de afetos positivos

  • Abertura — a receptividade a novas ideias e experiências

  • Agradabilidade — a inclinação à cooperação e à empatia

  • Conscienciosidade — a tendência à organização, à responsabilidade, ao planejamento

 

Cada um de nós pode ser localizado em algum ponto de cada uma dessas dimensões, e o conjunto resultante esboça um retrato da nossa personalidade. Esse modelo dimensional importa para entender o que vem a seguir, porque os transtornos de personalidade, quando olhados de perto, parecem ser, em larga medida, casos extremos dessas mesmas dimensões. Neuroticismo muito alto combinado com agradabilidade muito baixa começa a se parecer com algo. Conscienciosidade extrema, levada até a rigidez, também. A pergunta que naturalmente surge — e que a psiquiatria tem tentado responder ao longo do último século — é: onde termina a variação normal e onde começa o transtorno?

 

Quando um modo de ser se torna um transtorno

A transição de um modo de ser para um transtorno de personalidade ocorre quando a flexibilidade psicológica é substituída por uma rigidez absoluta. No funcionamento saudável, nossos esquemas mentais são dinâmicos e se moldam conforme as experiências da vida nos ensinam novas formas de agir. No entanto, quando esses esquemas se tornam impermeáveis à realidade, eles se cristalizam como bases mal-adaptativas. É nesse ponto que a personalidade deixa de ser um conjunto de características maleáveis e passa a ser um sistema fechado, onde o indivíduo não consegue mais ajustar seu comportamento, independentemente das consequências negativas.

Essa transformação também pode ser compreendida sob uma perspectiva evolutiva. Muitas vezes, o que hoje diagnosticamos como transtorno deriva de estratégias que foram úteis em ambientes primitivos. Uma postura predatória ou agressiva, que seria uma ferramenta de sobrevivência em um cenário de escassez e perigo constante, torna-se a base do Transtorno de Personalidade Antissocial em uma civilização pautada pela cooperação social. Da mesma forma, comportamentos de busca por amparo que outrora garantiam a coesão do grupo podem se tornar disfuncionais quando impedem a autonomia no mundo moderno.

Independente da forma pela qual classificamos os Transtornos de Personalidade, três elementos fundamentais precisam estar presentes de forma simultânea para que os classifiquemos.

 

Primeiro, a estabilidade: o padrão deve ser duradouro e onipresente, manifestando-se desde o início da vida adulta, e não sendo apenas uma resposta passageira a um luto ou crise financeira.

 

Segundo, deve haver um desvio evidente em relação às expectativas da cultura local, sinalizando que aquela forma de existir rompeu com a funcionalidade social esperada.

 

Por fim, o fator determinante é o prejuízo. O modo de ser torna-se um transtorno quando gera um sofrimento subjetivo profundo ou quando compromete áreas vitais da existência, como a capacidade de manter vínculos afetivos, de se autorregular emocionalmente ou de ser produtivo no trabalho. Em suma, o transtorno é o ponto onde a identidade de uma pessoa deixa de ser sua forma de navegar no mundo e passa a ser o naufrágio de suas possibilidades de adaptação.

A forma de classificação ainda predominante nos manuais diagnósticos, é categorial. O DSM-5 lista dez transtornos de personalidade, agrupados em três blocos:

  • Grupo A — paranoide, esquizoide e esquizotípico (os "excêntricos")

  • Grupo B — antissocial, borderline, histriônico e narcisista (os "dramáticos")

  • Grupo C — evitativo, dependente e obsessivo-compulsivo (os "ansiosos")

 

Essa organização tem lógica fenomenológica, mas pouca sustentação empírica: na prática, os pacientes raramente se encaixam limpinhos em uma única categoria, as comorbidades entre eles são a regra, e o mesmo paciente pode receber diagnósticos diferentes em momentos diferentes da vida.

 

Por isso, as classificações mais recentes vêm caminhando em direção a um modelo dimensional. O DSM-5 traz, em seu apêndice, um modelo alternativo que avalia o funcionamento da personalidade em dois eixos (self e relações interpessoais) e cinco domínios de traços. A CID-11, da Organização Mundial da Saúde, foi mais longe: abandonou as categorias clássicas, manteve apenas o borderline como qualificador, e passou a descrever transtornos de personalidade por sua gravidade (leve, moderado, grave) e por seu perfil de traços dominantes. É uma mudança importante, ainda em assimilação pela prática clínica, mas que reflete um consenso crescente: a personalidade não vem em caixinhas, e os termos que usamos para separar esses transtornos não necessariamente conseguem fazer isso de forma satisfatória.

De onde vem isso?

A pergunta sobre as origens dos transtornos de personalidade tem, hoje, uma resposta provisória mas relativamente consensual: vêm de uma interação complexa entre vulnerabilidade biológica e experiências de desenvolvimento, especialmente as precoces.

A vulnerabilidade biológica — a herdabilidade — varia entre os transtornos, mas é substancial em todos. O traço paranoide, por exemplo, mostra herdabilidade próxima de 0,5 (para entender isso é importante entender que essa é uma variável com valores de 0 a 1, em que no 0 consideramos não haver ligação com a genética e no 1 a ligação é total - altura por exemplo, tem uma herdabilidade em torno de 0,8 a 0,9).

 

Isso não significa que o transtorno seja "geneticamente determinado" no sentido vulgar da expressão; significa que algumas pessoas nascem com uma reatividade emocional mais intensa, um temperamento mais inibido, um sistema de regulação afetiva mais sensível, e que essas características influenciam o modo como vão processar as experiências que a vida lhes oferece.

Sobre essa base biológica, o ambiente trabalha. Não qualquer ambiente: as experiências precoces parecem ser particularmente formativas. Crianças com temperamento sensível submetidas a ambientes invalidantes — onde suas emoções são negadas, punidas ou inconsistentemente acolhidas — têm risco aumentado para transtornos do espectro borderline. Crianças com pais superprotetores e controladores têm risco aumentado para transtornos dependentes. Crianças com pais frios e exigentes, para transtornos obsessivos. Não há determinismo nessas associações; há tendências estatísticas, padrões que se repetem.

O modelo cognitivo, no qual baseio boa parte do meu trabalho clínico, oferece uma maneira útil de pensar sobre como isso se solidifica. Ao longo do desenvolvimento, todos nós construímos esquemas — estruturas mentais relativamente estáveis que organizam como percebemos a nós mesmos, aos outros e ao mundo. Esses esquemas funcionam como filtros: determinam o que prestamos atenção, como interpretamos o que vemos, quais memórias acessamos, quais respostas comportamentais nos parecem disponíveis.

 

Em alguém com desenvolvimento favorável, os esquemas são flexíveis o bastante para serem corrigidos pela experiência. Em alguém vulnerável, vivendo em circunstâncias adversas, certos esquemas podem se cristalizar de tal modo que passam a se reproduzir indefinidamente, mesmo quando as condições que os produziram já não existem. O adulto desconfiado segue desconfiado mesmo entre pessoas confiáveis. O adulto que se sente inerentemente inadequado segue se sentindo assim mesmo quando rodeado de evidências contrárias.

 

Essa é, em essência, a anatomia de um transtorno de personalidade pela ótica cognitiva: um sistema de esquemas que perdeu a capacidade de aprender com a experiência, e que portanto continua produzindo, ano após ano, as mesmas respostas que produziram sofrimento desde o início.

 

Por que o tratamento foi (e ainda é) considerado difícil

Há razões legítimas para que esses quadros tenham reputação de difíceis.

Em primeiro lugar, raramente o paciente procura tratamento pelo transtorno de personalidade. Procura por uma das suas consequências — uma depressão, um casamento em crise, uma demissão — e tende a ver o problema como estando fora de si. Pedir ajuda, em vários desses quadros, é algo que confronta diretamente aquilo que o paciente acredita sobre si mesmo e sobre os outros.

Em segundo lugar, o que se pede a esses pacientes é vertiginoso. Não é uma mudança de comportamento isolado, não é a aquisição de uma técnica nova, não é a correção de uma distorção pontual. É, como escreveram Beck, Freeman e Davis num dos textos fundadores deste campo, abrir mão de quem se é, ou de quem se acreditou ser durante a vida inteira, em todos os contextos da existência. É uma demanda enorme, e a resistência que naturalmente a acompanha é parte do quadro, não um obstáculo a ele.

 

Em terceiro lugar, há a questão do estigma, que ainda pesa. "Transtorno de personalidade" soa, para muitos pacientes e mesmo para muitos profissionais, como um veredito sobre o caráter, como se a pessoa fosse intrinsecamente defeituosa. Não é. É um padrão. Padrões podem mudar, ainda que mais devagar do que sintomas isolados, e ainda que parcialmente.

 

E aqui está a notícia boa, frequentemente esquecida: esses quadros são tratáveis. Não tão tratáveis quanto uma fobia simples, talvez, mas tratáveis. As últimas três décadas viram o surgimento de abordagens específicas, com evidência robusta, que tendem a produzir melhorias significativas durante sua aplicação, ainda que para a sua manutenção alguns pacientes possam se beneficiar de acompanhamento prolongado ou retomadas periódicas. Entre elas estão:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), com seu trabalho sobre esquemas e crenças centrais;

  • Terapia Comportamental Dialética (DBT) de Marsha Linehan, desenvolvida originalmente para o borderline;

  • Terapia Focada em Esquemas de Jeffrey Young;

  • Terapia Baseada em Mentalização (MBT) de Bateman e Fonagy.

Todas mostraram, em estudos controlados, capacidade de reduzir sintomas, melhorar funcionamento e diminuir comportamentos de risco, incluindo tentativas de suicídio. Mais ainda: quando se trata adequadamente um transtorno depressivo ou ansioso comórbido com terapia cognitiva, há melhora também do transtorno de personalidade subjacente. O cinismo terapêutico em relação a esses pacientes, que ainda predomina em alguns meios, está empiricamente desatualizado.

Um panorama dos dez transtornos

O que segue é um esboço — uma apresentação rápida, mais para localizar do que para descrever a fundo. Cada um desses quadros tem uma textura própria, uma história de desenvolvimento típica, um conjunto característico de crenças centrais, e estratégias clínicas que se desenvolveram especificamente para ele.

Grupo A — os "excêntricos"

Transtorno de personalidade paranoide. Suspeita intensa em relação aos outros, com tendência persistente a interpretar ações e intenções alheias como ameaçadoras ou humilhantes, sem que isso atinja a desorganização própria de um quadro psicótico. Guarda rancores, desconfia da lealdade dos próximos, vê ataques onde não há, reage com hostilidade. O caráter combativo costuma produzir, nos outros, exatamente as reações hostis que o paciente já esperava encontrar — confirmando o esquema e fechando o ciclo.

Transtorno de personalidade esquizoide. Distanciamento difuso das relações sociais, com pouca expressão emocional, pouco interesse por intimidade, preferência por atividades solitárias. Não há, aqui, a desconfiança paranoide nem a excentricidade esquizotípica; há um desinteresse genuíno, ou ao menos uma incapacidade de extrair prazer do contato. São pacientes que raramente procuram tratamento, e quando o fazem, é por pressão de terceiros ou por sofrimento secundário.

Transtorno de personalidade esquizotípico. Excentricidade marcada, com crenças incomuns, pensamento mágico, percepções estranhas, discurso peculiar, e desconforto agudo nas relações próximas. Compartilha com o esquizoide o isolamento, mas adiciona uma camada de estranheza cognitiva que aproxima esse quadro, em alguns aspectos, do espectro da esquizofrenia.

 

Grupo B — os "dramáticos"

Transtorno de personalidade borderline (emocionalmente instável). O mais estudado, o mais letal, o mais discutido. A instabilidade predomina, e afeta vários elementos — afeto, autoimagem, relacionamentos, controle de impulsos —, esforços desesperados para evitar o abandono real ou imaginado, sensação crônica de vazio, comportamentos autolesivos, raiva intensa de difícil controle.

Transtorno de personalidade narcisista. Sensação grandiosa da própria importância, fantasias de sucesso ilimitado, necessidade de admiração, sentimento de ter direitos especiais, dificuldade em reconhecer a vida interna dos outros. Por baixo da fachada, costuma haver uma vulnerabilidade aguda à crítica e ao desinvestimento alheio, que o paciente combate com mecanismos que vão do encantamento ao desprezo.

[Importante desde já salientar aqui que existe um uso crônico da palavra narcisista de uma maneira pouco alinhada à clínica, e que tende a ser generalizante e inadequada]

Transtorno de personalidade histriônico. Emocionalidade excessiva, busca constante por atenção, dramatização, sedução inadequada, expressão emocional rasa e cambiante, sugestionabilidade. Os relacionamentos tendem a ser percebidos como mais íntimos do que efetivamente são, e o sentido de identidade depende da resposta do outro.

 

Transtorno de personalidade antissocial. Padrão duradouro de desrespeito aos direitos alheios, com mentiras repetidas, impulsividade, agressividade, irresponsabilidade, ausência de remorso. Exige, para o diagnóstico, evidências de transtorno de conduta antes dos quinze anos. É o transtorno que mais se confunde, no imaginário popular, com a noção de "psicopatia" — sobreposição parcial e nem sempre útil.

 

Grupo C — os "ansiosos"

Transtorno de personalidade evitativo. Inibição social, sentimentos pervasivos de inadequação, hipersensibilidade à avaliação alheia. Diferentemente do esquizoide, o paciente quer contato — teme-o ao ponto de o evitar sistematicamente, antecipando rejeição e ridicularização. Quadro com sobreposição expressiva com o transtorno de ansiedade social, e que costuma chegar à clínica por essa via.

 

Transtorno de personalidade dependente. Necessidade pervasiva de ser cuidado, com submissão excessiva, medo de separação, dificuldade em tomar decisões cotidianas sem reasseguramento, relutância em discordar. Costuma estabelecer relacionamentos em que abre mão da autonomia em troca de proteção, e desorganiza-se profundamente quando esses vínculos se rompem.

 

Transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo. Preocupação excessiva com ordem, regras, controle e perfeição, à custa da flexibilidade e da eficiência. Trabalhadores dedicados que se enredam em detalhes, que delegam mal, que confundem moralidade com rigidez. Não confundir com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) propriamente dito — a relação entre os dois é menos próxima do que o nome sugere.

 

Uma observação final

A psiquiatria não tem, ainda, um modelo unificado e definitivo dos transtornos de personalidade. O que temos é um campo em movimento, com categorias clínicas úteis mas imperfeitas, abordagens terapêuticas eficazes mas exigentes, e um conhecimento crescente sobre os mecanismos que produzem e mantêm esses padrões.

 

O que parece cada vez mais claro, em todo caso, é que essas formas de sofrer e de se relacionar — antes vistas como manifestações do caráter, como destinos inevitáveis, como provas de fraqueza moral — são fenômenos que podem ser compreendidos, descritos e modificados. Não com palavras mágicas, não em prazos curtos, não sem que o paciente faça parte ativa do processo. Mas podem.

 

E o primeiro passo, quase sempre, é o que está acontecendo agora, enquanto alguém lê um texto como este: começar a suspeitar de que aquilo que sempre se tomou por "jeito de ser" pode ter, na verdade, um nome — e que ter um nome é o que abre a possibilidade de tornar-se, com o tempo, outra coisa.

 

Sobre o Dr. Alexandre Cintra — Psiquiatra em São Paulo

 

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra é médico psiquiatra (CRM: 139.224-SP | RQE: 39.418) com consultório na Alameda Santos, 211 — Cerqueira César, São Paulo. Atende adultos com transtornos de personalidade, transtornos depressivos e ansiosos, TDAHTOC, transtorno bipolar, Altas Habilidades/Superdotação e condições associadas, com abordagem que integra farmacologia de precisão e psicoterapia baseada em processos — combinando ferramentas de TCC, ACT e abordagens contextuais.

 

É autor de capítulos publicados sobre transtornos de personalidade nas editoras Sinopsys (2023) e Nilapress (2026), e leciona o tema no curso de especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental da Universidade Cruzeiro do Sul (UniCSul).

 

O atendimento de pacientes com transtornos de personalidade ocorre de forma individualizada, considerando a configuração específica do quadro, a presença de comorbidades, a fase da vida do paciente e os seus objetivos. Agendamentos pelo telefone (11) 3628-3915 ou WhatsApp (11) 99920-8895.

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Referências Bibliográficas

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Perguntas frequentes

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra - CRM: 139.224-SP

Psiquiatra [RQE: 39418]

Alameda Santos, 211 - Cj. 1709 - Cerqueira Cesar - São Paulo - SP

Tel: (11) 3628-3915 WhatsApp: (11) 99920-8895

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