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Sobre resoluções e inícios de ano


Promessas, desejos de mudanças, resoluções de ano-novo. Tudo isso parece muito novo e moderno, mas não é.

Os antigos babilônios, que viveram centenas de anos antes de Cristo, prometiam aos seus deuses no início de cada ano que iriam devolver objetos que haviam emprestado e pagar suas dívidas; os Romanos faziam promessas ao deus Janus (do qual se origina o nome Janeiro) no alvorecer de um novo ano e mesmo os cavaleiros da idade média renovavam os seus votos nessa mesma época.

Algumas pesquisas indicam que 40 a 50% dos americanos fazem resoluções de ano novo. John C. Norcross, um importante autor que lida com processos de mudança e como as pessoas atingem seus objetivos, publicou um artigo sobre as resoluções de ano novo em um grupo estudado em 1996, que mostrou alguns fatos interessantes:

(1) A maioria das resoluções de ano novo estão relacionadas a perda de peso, interrupção de tabagismo e início de um programa de exercícios.

(2) O sucesso de mudança de comportamento para as pessoas que fizeram resoluções de ano-novo foi cerca de 10 vezes maior que entre as pessoas que não as fizeram.

Isso contraria a ideia de que essas resoluções não funcionam ou são de alguma forma inúteis.

Quando elas não são seguidas, alguns fatores podem estar presentes, como as metas serem incompatíveis com o estágio de mudança em que a pessoa se encontra, serem irrealistas em termos de intensidade ou quantidade de metas, serem esquecidas ou não adequadamente monitoradas ao longo do tempo e avaliadas em termos do quanto já foi atingido.

O deus Janus, adorado pelos romanos, era representado com duas faces, e os romanos o imaginavam olhando para o passado e o futuro ao mesmo tempo, contemplando seus hábitos antigos e pensando nas mudanças a serem realizadas. Talvez possamos atingir mais mudanças pensando em objetivos simples, um de cada vez, monitorando o progresso e tentando manter em nossa mente os objetivos que estabelecemos.

3 dicas para as suas metas:

1. Estabeleça metas realistas, estipulando prazos e mesmo medidas quantitativas. Ao invés de: "Farei exercício físico" (Vago, inespecífico, sem programação), tente algo como "Irei à academia 3 vezes por semana, para fazer exercícios aeróbicos (esteira e bicicleta) por um período mínimo de 20 minutos por vez, preferencialmente às Segundas, Quartas e Sextas-Feiras, nos próximos três meses". A meta fica mais longa, mas a presença de um tempo definido e de um planejamento específico eleva as chances de sucesso em relação a um planejamento vago ou impreciso.

2. Tente deixar as suas metas por escrito e revê-las periodicamente. As vezes circunstâncias da vida fazem com que as metas sejam mudadas. E nesse caso, é importante revê-las e adequá-las. Pode ser que algo que lhe parece perfeito a primeira vista deixe de sê-lo quando submetido a avaliação prática e ao tempo.

3. Sabe aquela história de que contar aos amigos e às pessoas próximas "estraga" a meta? Esqueça disso...

Compartilhar suas metas e seus objetivos pode ser uma maneira de criar um grupo de suporte para ajudá-lo a coloca-las em ação e esse compartilhamento cria uma teia de ajuda mútua que é benéfica.

Ah, sim. Hoje é dia 3 de Janeiro. Mas não se passou nem 1% do ano de 2020. Ainda é tempo. Feliz ano novo!

Bibliografia: Journal of Clinical Psychology, Vol. 58(4), 397–405 (2002) American Medical Association. (1995). New Year’s resolution survey.


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