O tal do TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)

May 1, 2014

 

Até há muito pouco tempo, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) era considerado raro, de tratamento difícil, muito pouco reconhecido como doença e tinha seus sintomas vistos como “manias” de pessoas “excêntricas” ou “estranhas”. Hoje sabemos se tratar de uma doença mais comum do que se imaginava, afetando entre 11 e 18 pessoas em cada mil (1,1-1,8%), e já existem uma série de formas de tratamento muito eficazes para a maioria dos casos de TOC, como alguns medicamentos e a terapia cognitivo-comportamental.

 

No TOC ocorrem as chamadas obsessões, as compulsões ou os dois tipos de sintomas. As obsessões são pensamentos ou imagens que invadem a mente contra a vontade da pessoa, e podem se relacionar a temas que constrangem, envergonham ou amedrontam, como desejo sexual diferente do habitual, impulso de agredir ou xingar alguém, pecado, sujeira e simetria, geralmente causando forte ansiedade. A pessoa tenta apagar, ignorar ou compensar esses pensamentos ou imagens com outro pensamento ou ação (as compulsões), por exemplo, realizando um comportamento repetitivo (lavar as mãos, ordenar, checar) ou um ato mental (rezar, contar, repetir palavras).

 

É importante lembrar que embora antes os pacientes com TOC fossem confundidos com pessoas com algumas manias, nem todo mundo com algumas “manias” tem TOC. Existem pessoas que são simplesmente muito organizadas, ou muito cuidadosas, ou muito higiênicas sem que isso cause um problema na sua vida. As obsessões e compulsões, para o diagnóstico de TOC, ocupam um tempo grande do dia da pessoa (mais de uma hora) ou causam prejuízo social, no trabalho e em outras áreas de vida da pessoa, por exemplo, alguém com um pensamento obsessivo de agressão que passa a evitar as pessoas, ou com uma obsessão por simetria que demora muito para completar trabalhos escolares ou ainda alguém com idéias de contaminação que evita hospitais, consultórios e pode ter problemas de saúde geral por falta de tratamento ou problemas dermatológicos por lavagens excessivas ou excesso de produtos de limpeza.

 

Os atos compulsivos ou não tem uma relação lógica com os pensamentos que tentam evitar (por exemplo não pisar em listras ou não usar números impares ou uma cor específica como forma de evitar um desastre), ou são claramente excessivos, (checar o gás por 30 vezes para evitar que a casa pegue fogo). Muitas vezes a pessoa consegue entender racionalmente, por exemplo, que não é necessário checar se a geladeira está aberta 41 vezes, mas mesmo assim tem um impulso irresistível por faze-lo.

 

O TOC muitas vezes é acompanhado de uma grande quantidade de doenças, como os transtornos depressivos, de ansiedade generalizada, de pânico, ansiedade social e transtornos alimentares. A maioria dos casos se inicia na infância ou na adolescência, e se não for tratado pode evoluir como uma doença crônica, pois é raro que melhore sem tratamento. Na avaliação do paciente com TOC, o médico também precisa excluir outras doenças e mesmo medicamentos que podem causar sintomas muito parecidos com os do TOC.

 

O tratamento medicamentoso do TOC se baseia principalmente em medicamentos antidepressivos, como a clomipramina, sertralina, citalopram, fluoxetina, paroxetina, escitalopram e fluvoxamina, mas várias outras medicações podem ser usadas a depender da avaliação do psiquiatra.

 

As técnicas de terapia usadas para o tratamento do TOC envolvem a chamada Terapia de Prevenção de Resposta, tentando evitar os atos compulsivos, muitas vezes pela exposição graduada e outras técnicas que trabalham os pensamentos da pessoa afetada e as formas dela lidar com estes.

 

É muito importante que a família esteja presente no tratamento, pois um fato que ocorre no curso do TOC é a “acomodação familiar”, em que aos poucos a família tem a sua rotina muito modificada pelos sintomas da doença de um dos membros, por exemplo num caso em que a pessoa tem um medo grande de contaminação e todos em casa deixam de receber visitas, ou em que não se pode usar uma cor específica ou objetos específicos.

 

Bibliografia:

 

1 – OCD: the state of the art, Murphy 2010

2 – Y-BOCS Check list, Hanna, 1995

3 – Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders – 2013

4 – ASTOC – Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo

 

Para saber mais:

 

 

Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo – ASTOC

Programa de Ensino, Pesquisa e Assistência do Distúrbio Obsessivo-Compulsivo (PRODOC) – Escola Paulista de Medicina – Rua Botucatu, 740 – 3º andar – São Paulo/SP – Fone: (011) 5576-4162

Projeto Transtorno Obsessivo-Compulsivo (PROTOC) – Instituto de Psiquiatria – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, s/nº – 3º andar – sala 4025 – São Paulo/SP – Fone: (011) 3069-6972

 

 

Please reload

Featured Posts

Psiquiatria e Cinema: A Esquizofrenia em "Uma mente brilhante"...

May 23, 2015

1/4
Please reload

Recent Posts
Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags

Alameda Santos, 211 - Sala 1709 - São Paulo - SP - 

Dr. Alexandre Donizeti dos Reis Cintra

CRM: 139.224-SP

Alameda Santos, 211 - Sala 1709

Tel: (11) 3628-3915